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H. pylori: a bactéria silenciosa que pode estar associada a câncer no estômago

Tempo de Leitura: 4 min
Atualizado em: 25/08/2025
Sumário

O Helicobacter pylori é uma bactéria que pode viver no seu estômago por décadas sem dar sinais, mas, em alguns casos, provoca inflamações, úlceras e até aumenta o risco de câncer gástrico. Metade da população mundial está infectada e muitas pessoas nem sabem. Neste artigo, você vai descobrir como essa bactéria é transmitida, quais os sintomas e complicações, quando realmente vale a pena tratar, quais são os tratamentos mais eficazes e como se prevenir. Entenda, de forma clara e baseada em evidências, se o H. pylori é apenas um morador silencioso ou uma ameaça que merece atenção imediata.

O Helicobacter pylori (H. pylori) é uma bactéria em forma de espiral capaz de viver e se multiplicar no ambiente ácido do estômago. Apesar de microscópica, ela é extremamente comum: estima-se que metade da população mundial esteja infectada, e muitas pessoas convivem com ela por anos sem saber.

O grande problema é que, para alguns indivíduos, o H. pylori não é apenas um morador inofensivo — ele pode provocar inflamações crônicas, úlceras e até aumentar o risco de câncer gástrico.

Neste artigo, vamos explicar como essa bactéria age, quando deve ser tratada, quais são as opções de tratamento e como se prevenir.

Como o H. pylori é transmitido?

O H. pylori geralmente é adquirida na infância, por meio de:

  • Água ou alimentos contaminados;
  • Contato direto com saliva, vômito ou fezes de pessoas infectadas (em ambientes com condições de higiene precárias).

Sintomas: nem sempre visíveis

Na maioria dos casos, o H. pylori não causa sintomas imediatos. Quando eles aparecem, costumam estar relacionados a complicações como gastrite ou úlcera, e incluem:

  • Dor ou queimação no estômago;
  • Azia frequente;
  • Náusea;
  • Sensação de estômago cheio após pequenas refeições;
  • Perda de apetite;
  • Em casos mais graves: sangramento digestivo (vômito com sangue ou fezes escuras).

H. pylori e câncer gástrico: qual a relação?

O H. pylori é classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um carcinógeno do Grupo 1, ou seja, comprovadamente capaz de causar câncer em humanos.

A infecção crônica pode levar a uma sequência de alterações na mucosa gástrica:

  • Gastrite crônica;
  • Atrofia gástrica;
  • Metaplasia intestinal;
  • Displasia;
  • Adenocarcinoma gástrico.

Nem todos os infectados seguirão esse caminho, mas pessoas com histórico familiar de câncer gástrico, presença de lesões pré-malignas ou vivendo em regiões de alta incidência da doença apresentam risco significativamente maior.

Quando o H. pylori deve ser tratado?

As principais diretrizes médicas recomendam tratamento imediato nos seguintes casos:

  • Úlcera gástrica ou duodenal, ativa ou cicatrizada;
  • Linfoma gástrico;
  • Histórico familiar de câncer gástrico;
  • Gastrite atrófica;
  • Dispepsia persistente.

E quando pode não ser necessário tratar?

Em indivíduos assintomáticos, sem fatores de risco e vivendo em áreas de baixa incidência de câncer gástrico, alguns especialistas ponderam se o tratamento é necessário, para evitar o uso desnecessário de antibióticos e o risco de resistência bacteriana.

Diagnóstico

O H. pylori pode ser identificado por:

  • Teste respiratório da ureia (rápido, não invasivo e muito sensível);
  • Pesquisa de antígeno nas fezes;
  • Exame histológico e teste rápido de urease durante endoscopia digestiva alta;

Tratamentos mais utilizados

O tratamento do H. pylori é feito com uma combinação de remédios que atacam a bactéria e reduzem a acidez do estômago, ajudando na cicatrização da mucosa. 



Normalmente, o médico prescreve um esquema que dura cerca de 10 a 14 dias, associando antibióticos e medicamentos para proteger o estômago. Existem diferentes combinações possíveis, e a escolha depende de fatores como resistência da bactéria na região e se já houve tentativas anteriores de tratamento. Após o fim do uso dos medicamentos, é importante repetir o exame para confirmar que a bactéria foi eliminada.

Prevenção

Embora não exista vacina, algumas medidas ajudam a reduzir o risco de infecção:

  • Lavar as mãos regularmente;
  • Beber água potável;
  • Higienizar frutas e verduras;
  • Evitar compartilhar talheres ou copos com pessoas infectadas.

Conclusão

O H. pylori é uma bactéria extremamente comum e, em muitos casos, silenciosa. Embora nem todos os infectados precisem de tratamento imediato, sua presença pode representar um risco real para doenças graves, incluindo câncer gástrico. O diagnóstico precoce e a decisão individualizada sobre o tratamento, com base em fatores de risco e contexto geográfico, são fundamentais para proteger a saúde a longo prazo.Se você apresenta sintomas persistentes de gastrite ou tem histórico familiar de câncer de estômago, converse com seu médico sobre a investigação do H. pylori.

Perguntas Frequentes:

O que é o H. pylori e por que ele preocupa?

Ilustração do sistema digestivo com destaque para a bactéria Helicobacter pylori em imagem ampliada ao lado do estômago.

É uma bactéria que pode viver no estômago por décadas. Em algumas pessoas, causa gastrite, úlceras e aumenta o risco de câncer gástrico.

Como o H. pylori é transmitido?

Principalmente na infância, por água ou alimentos contaminados, além de contato com saliva, vômito ou fezes de pessoas infectadas.

Quais são os sintomas mais comuns da infecção por H. pylori?

Dor ou queimação no estômago, azia frequente, náusea, sensação de estômago cheio e, em casos graves, sangramento digestivo.

Todo mundo com H. pylori precisa de tratamento?

Não. O tratamento é indicado em casos de úlcera, gastrite atrófica, linfoma gástrico, dispepsia persistente ou histórico familiar de câncer gástrico.

Como é feito o tratamento do H. pylori?

Combinando antibióticos e medicamentos que reduzem a acidez do estômago por 10 a 14 dias. Depois, é preciso repetir exames para confirmar a eliminação da bactéria.

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Dr. Francisco Tustumi
Sou Graduado em Medicina, fiz Residência Médica em Cirurgia Geral e Cirurgia do Aparelho Digestivo, Mestre em Ciências em Gastroenterologia e Doutorado em Ciências em Gastroenterologia, especialista em Habilitação e Qualificação em Cirurgia Oncológica do Aparelho Digestivo e em Cirurgia Bariátrica

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