Esôfago - Dr. Francisco Tustumi https://franciscotustumi.com.br Cirurgia Geral e Cirurgia do Aparelho Digestivo Mon, 24 Nov 2025 18:42:44 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.4.7 https://franciscotustumi.com.br/wp-content/uploads/2023/01/favicon-150x150.jpg Esôfago - Dr. Francisco Tustumi https://franciscotustumi.com.br 32 32 Divertículo de Zenker: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento https://franciscotustumi.com.br/diverticulo-de-zenker-o-que-e-sintomas-diagnostico-e-tratamento/ https://franciscotustumi.com.br/diverticulo-de-zenker-o-que-e-sintomas-diagnostico-e-tratamento/#respond Mon, 24 Nov 2025 16:45:13 +0000 https://franciscotustumi.com.br/?p=1222 Neste artigo, você vai entender o que é o divertículo de Zenker, por que ele acontece, quais são os sintomas mais comuns, como é feito o diagnóstico, quais são os principais fatores de risco e quais opções de tratamento existem atualmente, incluindo as técnicas modernas minimamente invasivas.

O que é o Divertículo de Zenker?

O divertículo de Zenker é uma doença rara que afeta a parte superior do esôfago, região por onde o alimento passa logo depois da deglutição. Trata-se de uma espécie de “bolsa” ou “saco” que se forma na parede do esôfago, acumulando restos de comida e líquidos. Essa alteração ocorre por uma fraqueza muscular localizada entre a garganta e o início do esôfago, o que facilita a formação desse pequeno reservatório.

Sintomas do Divertículo de Zenker

Os sintomas do divertículo de Zenker podem variar, mas os mais comuns são:

  • Dificuldade para engolir (disfagia), principalmente alimentos sólidos.
  • Sensação de alimento parado na garganta.
  • Regurgitação de comida não digerida, que pode voltar horas após a refeição.
  • Halitose (mau hálito), causada pelo acúmulo de resíduos na bolsa.
  • Tosse e engasgos frequentes, especialmente à noite.
  • Em casos mais graves, pode ocorrer pneumonia aspirativa, quando partículas de comida descem para o pulmão.

Esses sintomas podem evoluir de forma lenta e progressiva, e muitas vezes o paciente demora para procurar ajuda médica, acreditando que é apenas “um problema para engolir”.

Causas e Fatores de Risco

O divertículo de Zenker está relacionado ao funcionamento anormal do músculo chamado esfíncter esofágico superior, que não relaxa corretamente durante a deglutição. Isso gera aumento de pressão nessa região, favorecendo o surgimento da bolsa.
Alguns fatores aumentam o risco da doença:

  • Idade avançada (mais comum em pessoas acima dos 60 anos).
  • Alterações de motilidade esofágica.
  • Sexo masculino (levemente mais frequente).
  • História familiar de distúrbios de deglutição.

Diagnóstico do Divertículo de Zenker

O diagnóstico é feito principalmente por exames de imagem. O mais característico é o esofagograma contrastado, também chamado de exame de deglutição com bário, em que o paciente ingere um líquido visível em radiografias. Esse exame mostra claramente a presença da bolsa.

Em alguns casos, pode ser realizada também a endoscopia digestiva alta, que ajuda a descartar outras causas de disfagia, como câncer de esôfago e acalasia.

Tratamento do Divertículo de Zenker

O tratamento do divertículo de Zenker depende do tamanho da bolsa e da intensidade dos sintomas.

  • Nos casos mais leves, quando o divertículo é pequeno e não causa grandes problemas, pode-se apenas observar com acompanhamento médico regular.
  • Já quando os sintomas atrapalham a alimentação, provocam engasgos frequentes, regurgitação, mau hálito ou até pneumonias aspirativas, o tratamento cirúrgico é indispensável.

Existem duas principais abordagens:

  • Tratamento endoscópico: realizado com o auxílio de um endoscópio, é indicado para divertículos menores. Nesse procedimento, o médico corta a parede entre o esôfago e o divertículo, permitindo que os alimentos sigam o trajeto normal sem ficarem retidos. É uma técnica minimamente invasiva, com boa recuperação, mas pode não ser suficiente para todos os casos.
  • Cirurgia aberta no pescoço: é a opção preferida para divertículos maiores. Nesse procedimento, o divertículo é retirado e o músculo responsável pelo problema é tratado diretamente. A grande vantagem dessa técnica é que ela oferece uma solução definitiva, com menor chance de recidiva e eliminação completa do reservatório que acumulava alimentos. Para pacientes com divertículos volumosos, essa abordagem é considerada o padrão ouro, garantindo melhora significativa da deglutição e prevenindo complicações sérias, como aspiração pulmonar.

Conclusão

O divertículo de Zenker é uma doença rara, mas que pode causar sintomas importantes e impactar bastante a qualidade de vida. Apesar de não ser uma condição transmissível ou infecciosa, exige diagnóstico correto e, muitas vezes, tratamento cirúrgico. O avanço das técnicas endoscópicas trouxe opções mais seguras e menos invasivas, permitindo uma recuperação rápida e resultados eficazes.

Perguntas Frequentes:

1. O que é o divertículo de Zenker?

É uma bolsa que se forma na parede superior do esôfago, acumulando alimentos e causando dificuldade para engolir e regurgitação.

2. Quais são os principais sintomas do divertículo de Zenker?

Disfagia, sensação de alimento parado, regurgitação tardia, mau hálito, tosse, engasgos e risco de pneumonia aspirativa.

3. O que causa o divertículo de Zenker?

A fraqueza do músculo entre garganta e esôfago, associada ao mau funcionamento do esfíncter esofágico superior.

4. Como o divertículo de Zenker é diagnosticado?

O exame mais utilizado é o esofagograma com contraste (deglutição com bário). Endoscopia também pode ser indicada.

5. Qual é o tratamento indicado para o divertículo de Zenker?

Dependendo do caso, pode ser apenas acompanhamento, tratamento endoscópico ou cirurgia aberta, especialmente para divertículos maiores.

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Síndrome de Ruminação: Entenda o que é, Sintomas e Tratamentos https://franciscotustumi.com.br/sindrome-de-ruminacao-entenda-o-que-e-sintomas-e-tratamentos/ https://franciscotustumi.com.br/sindrome-de-ruminacao-entenda-o-que-e-sintomas-e-tratamentos/#respond Mon, 29 Sep 2025 12:00:00 +0000 https://franciscotustumi.com.br/?p=1204 A regurgitação após as refeições é um incômodo comum, mas quando ela se torna um hábito repetitivo e involuntário, pode ser um sinal de algo mais sério: a síndrome de ruminação. Frequentemente confundida com refluxo, essa condição pouco conhecida pode causar grande sofrimento físico e emocional. Descubra neste artigo o que causa essa síndrome, como ela é diagnosticada e quais os tratamentos eficazes para retomar uma relação saudável com a alimentação.

O que é a Síndrome de Ruminação?

A síndrome de ruminação, também conhecida como mericismo, é um distúrbio funcional em que a pessoa regurgita, de forma repetitiva e sem esforço, os alimentos que acabou de engolir. Essa regurgitação acontece geralmente logo após as refeições, e o alimento retorna à boca sem a presença de náusea ou de uma sensação de queimação, comum no refluxo. A pessoa pode então mastigar o alimento novamente, engoli-lo de novo ou cuspi-lo.

É importante notar que essa não é uma ação consciente ou voluntária, mas sim um reflexo ou um hábito que o corpo desenvolve. A síndrome afeta pessoas de todas as idades, desde bebês até adultos, e pode ser desencadeada por diversos fatores.

Sintomas: Como identificar a síndrome?

A principal característica da síndrome de ruminação é a regurgitação sem esforço. No entanto, existem outros sintomas que podem ajudar a identificar a condição:

  • Regurgitação recorrente: Ocorre de forma repetida, geralmente logo após cada refeição.
  • Ausência de náusea e dor: Diferente do vômito, a regurgitação não vem acompanhada de ânsia ou desconforto.
  • Sabor do alimento: O alimento regurgitado não tem o sabor ácido do vômito, pois ele retorna à boca antes de ser totalmente processado pelo estômago.
  • Sintomas que aliviam após a regurgitação: Algumas pessoas sentem um alívio da pressão ou desconforto abdominal depois que o alimento retorna.

A longo prazo, a síndrome de ruminação pode levar a complicações sérias como mau hálito, cáries, desgaste do esmalte dos dentes e, em casos mais graves, perda de peso e desnutrição. O impacto emocional também é significativo, levando a sentimentos de vergonha, ansiedade e isolamento social, já que muitos pacientes evitam comer em público.

Ruminação x Refluxo: Qual a diferença?

Embora a regurgitação seja um sintoma de ambos os quadros, a síndrome de ruminação e o refluxo gastroesofágico são condições bem diferentes.

  • Refluxo: Acontece quando o ácido do estômago sobe para o esôfago, causando uma sensação de queimação (azia) no peito e na garganta. A regurgitação, quando ocorre, é ácida e pode ser acompanhada de outros sintomas como tosse seca e dor no peito. O refluxo está ligado a problemas físicos, como o mau funcionamento do esfíncter esofágico.
  • Ruminação: Ocorre por um aumento da pressão abdominal que causa o retorno do alimento, sem o esforço ou a acidez do refluxo. A síndrome de ruminação é considerada um distúrbio funcional e muitas vezes tem relação com fatores emocionais e psicológicos, como estresse e ansiedade.

A melhor forma de diferenciar é buscar o diagnóstico de um médico, pois o tratamento para cada condição é completamente diferente.

Diagnóstico e Tratamento: O caminho para a recuperação

O diagnóstico da síndrome de ruminação é feito, principalmente, por um médico especialista, como um gastroenterologista. Ele irá analisar o histórico de sintomas, que devem ter ocorrido por pelo menos um mês, e poderá solicitar exames para descartar outras doenças, como o refluxo ou gastroparesia.

O tratamento da síndrome foca na terapia comportamental, que ajuda o paciente a "desaprender" o hábito da regurgitação. Uma das técnicas mais comuns e eficazes é a terapia de respiração diafragmática, que ensina o paciente a controlar a pressão abdominal para evitar que o alimento suba. Em alguns casos, o uso de medicamentos pode ser recomendado para aliviar os sintomas ou tratar condições coexistentes, como ansiedade.

O trabalho em conjunto com uma equipe multidisciplinar, incluindo psicólogos e nutricionistas, é fundamental para o sucesso do tratamento. A recuperação não é apenas sobre o sintoma físico, mas também sobre o restabelecimento da saúde mental e de uma relação tranquila com a comida.

Perguntas Frequentes:

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Quando a azia pode ser um sinal de algo mais grave: entenda o Refluxo e o Esôfago de Barrett https://franciscotustumi.com.br/quando-a-azia-pode-ser-um-sinal-de-algo-mais-grave-entenda-o-refluxo-e-o-esofago-de-barrett/ https://franciscotustumi.com.br/quando-a-azia-pode-ser-um-sinal-de-algo-mais-grave-entenda-o-refluxo-e-o-esofago-de-barrett/#respond Mon, 28 Apr 2025 12:26:02 +0000 https://franciscotustumi.com.br/?p=1122 Neste artigo, você vai entender o que é o esôfago de Barrett, uma lesão crônica causada pelo refluxo ácido. Explicamos quem é mais afetado, os sintomas mais comuns (ou a ausência deles), o risco real de câncer, como é feito o diagnóstico e quais são as opções de tratamento disponíveis. Se você convive com refluxo gastroesofágico (DRGE), é fundamental conhecer essa condição silenciosa que pode evoluir com o tempo — e aprender a controlá-la precocemente.

O que é o Esôfago de Barrett?

O esôfago de Barrett é uma alteração crônica no revestimento do esôfago provocada pelo contato frequente com o ácido do estômago. Ele ocorre como consequência da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE), quando o conteúdo ácido e enzimático do estômago retorna repetidamente ao esôfago, causando inflamação contínua. Com o tempo, essa agressão leva à substituição do epitélio esofágico normal (escamoso) por um tecido semelhante ao do intestino — um processo chamado metaplasia intestinal.

Essa mudança celular é considerada uma lesão pré-maligna, pois aumenta o risco de câncer de esôfago. No entanto, vale destacar que a maioria dos pacientes com Barrett não desenvolverá câncer, especialmente com acompanhamento adequado.

Lesão Crônica no Esôfago Causada pelo Refluxo Ácido

O refluxo ácido é o principal causador do esôfago de Barrett. Quando o conteúdo gástrico sobe para o esôfago com frequência, ele agride repetidamente a mucosa, resultando em inflamações que, ao longo dos anos, levam à substituição das células normais. Essa lesão crônica muda completamente o ambiente celular do esôfago e representa um estágio mais avançado da DRGE, que não pode ser negligenciado.

É importante lembrar que nem sempre o refluxo é percebido pelo paciente. Em alguns casos, ele é silencioso, o que torna o diagnóstico ainda mais desafiador.

Quem o Esôfago de Barrett Afeta com Mais Frequência?

Embora possa ocorrer em diferentes perfis, o esôfago de Barrett afeta mais frequentemente homens brancos, acima de 50 anos, com histórico de refluxo crônico não tratado ou mal controlado. Outros fatores de risco incluem:

  • Obesidade abdominal (gordura localizada no abdome);
  • Tabagismo (atual ou prévio);
  • Histórico familiar de esôfago de Barrett ou câncer de esôfago;
  • Consumo frequente de álcool;
  • Dietas ricas em gordura e alimentos processados.

Estudos apontam que 5 a 15% dos pacientes com DRGE crônica podem desenvolver Barrett, embora esse número possa ser maior em populações de risco não triadas.

Sintomas: Pode Ser Assintomático

Um dos grandes desafios do esôfago de Barrett é que ele pode ser totalmente assintomático. Muitos pacientes descobrem a condição por acaso, ao realizar uma endoscopia digestiva por outro motivo.

Quando há sintomas, eles costumam ser semelhantes aos da DRGE, incluindo:

  • Azia ou queimação no peito;
  • Regurgitação ácida (sensação de líquido ácido voltando à boca);
  • Dor ou desconforto ao engolir alimentos;
  • Tosse crônica ou rouquidão, especialmente pela manhã.

É importante lembrar: mesmo sem sintomas, o esôfago pode estar sendo lesionado.

Saiba mais sobre os sintomas de refluxo e como tratá-los clicando aqui.

Risco de Câncer: Entenda o Verdadeiro Perigo

O esôfago de Barrett aumenta o risco de desenvolver adenocarcinoma de esôfago, um tipo agressivo de câncer. Mas é essencial contextualizar: o risco absoluto ainda é considerado baixo. Estima-se que apenas 0,1% a 0,5% dos pacientes com Barrett evoluam para câncer a cada ano.

Contudo, o risco aumenta quando há displasia de alto grau (alterações celulares mais intensas), o que justifica a importância do monitoramento endoscópico periódico para identificação precoce dessas alterações.

Diagnosticar o esôfago de Barrett precocemente permite acompanhar e tratar as mudanças celulares antes que evoluam para algo mais grave.

Diagnóstico: Endoscopia Digestiva Alta com Biópsia

O exame padrão-ouro para diagnosticar o esôfago de Barrett é a endoscopia digestiva alta. Durante o exame, um tubo fino e flexível com uma câmera é introduzido pela boca até o esôfago, possibilitando a visualização direta da mucosa. Áreas suspeitas, com coloração ou textura alterada, podem ser biopsiadas.

A biópsia é essencial para confirmar a presença de metaplasia intestinal — ou seja, para determinar se o tecido esofágico foi realmente substituído por células tipo intestinais, típicas do Barrett.

O exame é realizado com sedação leve, é indolor e tem excelente tolerância pelos pacientes.

Tratamento: O Que Fazer Após o Diagnóstico

O tratamento do esôfago de Barrett é focado em controlar o refluxo ácido e impedir a progressão da lesão. As principais estratégias incluem:

1. Medicamentos

O uso de inibidores da bomba de prótons (IBPs) é a principal abordagem medicamentosa. Eles reduzem significativamente a produção de ácido gástrico e ajudam a evitar novas lesões.

2. Mudança de Hábitos e Alimentação

  • Evitar alimentos gordurosos, picantes, bebidas alcoólicas e gaseificadas;
  • Não se deitar após as refeições;
  • Manter um peso saudável;
  • Elevar a cabeceira da cama em pelo menos 15cm.

3. Cirurgia Antirrefluxo

Indicada em casos de refluxo de difícil controle com medicamentos ou em pacientes jovens. A cirurgia corrige a válvula natural entre o esôfago e o estômago, impedindo o retorno do ácido.

4. Ablativo Endoscópico (Ablação por Radiofrequência)

Para pacientes com displasia de baixo ou alto grau, a ablação por radiofrequência é uma técnica moderna e eficaz. Ela utiliza calor controlado para remover o tecido alterado, permitindo o crescimento de um novo revestimento esofágico saudável.

Conclusão: Não Ignore os Sintomas e Faça o Acompanhamento

Mesmo que o esôfago de Barrett não apresente sintomas específicos, ele pode estar presente silenciosamente em quem tem refluxo crônico. O diagnóstico precoce, feito por endoscopia, permite monitorar e tratar a condição antes que ela evolua.

Se você tem azia frequente, histórico familiar de câncer esofágico ou fatores de risco, converse com seu médico sobre a necessidade de realizar uma endoscopia. Com tratamento e vigilância adequados, é possível viver com segurança e prevenir complicações.

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Acalasia: Entendendo o Distúrbio que Afeta a Deglutição https://franciscotustumi.com.br/acalasia-entendendo-o-disturbio-que-afeta-a-degluticao/ https://franciscotustumi.com.br/acalasia-entendendo-o-disturbio-que-afeta-a-degluticao/#respond Mon, 14 Apr 2025 12:51:39 +0000 https://franciscotustumi.com.br/?p=1115 A acalasia é uma condição rara que prejudica a capacidade do esôfago de mover alimentos em direção ao estômago, causando dificuldades para engolir e outros sintomas desconfortáveis. Este artigo explora as causas, sintomas, diagnóstico e opções de tratamento da acalasia, oferecendo uma visão abrangente para leigos interessados em compreender melhor esse distúrbio esofágico.​

O que é Acalasia?

A acalasia é um distúrbio raro do esôfago que afeta a capacidade deste órgão de mover alimentos em direção ao estômago. O esôfago é um tubo muscular que transporta alimentos e líquidos da boca para o estômago. Na acalasia, o esfíncter esofágico inferior (EEI) – uma válvula muscular que se abre para permitir a passagem dos alimentos para o estômago – não relaxa adequadamente durante a deglutição. Além disso, os músculos do esôfago podem perder sua capacidade de realizar as contrações necessárias para empurrar o alimento, resultando em dificuldade para engolir e outros sintomas.​

Causas da Acalasia

Embora a causa exata da acalasia não seja completamente compreendida, acredita-se que fatores como a degeneração dos nervos do esôfago possam estar envolvidos. Possíveis causas e fatores de risco incluem:​

  • Doenças autoimunes: O sistema imunológico ataca erroneamente as células nervosas do esôfago.​
  • Infecções virais: Algumas infecções podem desencadear a degeneração nervosa.​
  • Fatores genéticos: Embora raro, há casos familiares de acalasia, sugerindo uma possível predisposição genética.​

Sintomas Comuns

Os sintomas da acalasia geralmente se desenvolvem gradualmente e podem incluir:​

  • Disfagia: Dificuldade para engolir alimentos sólidos e líquidos.​
  • Regurgitação: Retorno de alimentos não digeridos à boca.​
  • Dor torácica: Desconforto ou dor no peito, especialmente após as refeições.​
  • Perda de peso: Devido à ingestão inadequada de nutrientes.​
  • Pirose: Sensação de queimação no peito, frequentemente confundida com azia.​

Diagnóstico da Acalasia

Para diagnosticar a acalasia, os médicos podem solicitar os seguintes exames:​

  • Esofagomanometria: Mede a pressão e as contrações musculares do esôfago durante a deglutição.​
  • Esofagograma baritado: Radiografia do esôfago após a ingestão de um líquido de contraste para visualizar o trânsito esofágico.​
  • Endoscopia digestiva alta: Exame que permite visualizar diretamente o interior do esôfago e do estômago, descartando outras condições.​

Opções de Tratamento

Embora não haja cura definitiva para a acalasia, existem tratamentos que visam aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida:​

  • Dilatação pneumática: Procedimento que utiliza um balão para expandir o EEI, realizado por endoscopia.
  • Cirurgia (miotomia de Heller): Cirurgia minimamente invasiva para cortar as fibras musculares do EEI, permitindo seu relaxamento.​
  • POEM: Procedimento realizado por endoscopia, seccionando o EEI.
  • Medicamentos: Bloqueadores de canais de cálcio ou nitratos podem ser prescritos para relaxar o EEI, embora sua eficácia seja limitada.​

Considerações Finais

A acalasia é uma condição rara que pode impactar significativamente a qualidade de vida dos pacientes. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais para o manejo eficaz dos sintomas. Se você ou alguém que conhece apresenta sintomas sugestivos de acalasia, é fundamental procurar orientação médica para avaliação e intervenção apropriada.

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Tudo sobre AZIA. O que fazer para acabar com a QUEIMAÇÃO constante? https://franciscotustumi.com.br/tudo-sobre-azia-o-que-fazer-para-acabar-com-a-queimacao-constante/ https://franciscotustumi.com.br/tudo-sobre-azia-o-que-fazer-para-acabar-com-a-queimacao-constante/#respond Mon, 10 Feb 2025 12:49:52 +0000 https://franciscotustumi.com.br/?p=1081

Entre o tórax e o abdômen encontra-se um dos músculos mais importantes que você talvez nem sabia que existia: o Esfíncter Esofágico Inferior. Esse músculo em forma de anel desempenha um papel crucial na digestão, impedindo que o ácido estomacal volte para o esôfago. Quando funciona bem, mal percebemos sua presença. Mas, quando falha, pode causar um desconforto familiar para muitos: a azia, aquela sensação de queimação no peito, às vezes acompanhada por um gosto ácido desagradável na boca.

Embora a azia ocasional seja comum, quando os episódios se tornam frequentes – duas vezes por semana ou mais – é possível que estejamos lidando com a Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE)

Mas o que leva a esse problema? Como evitá-lo? Vamos explorar!

O Papel do Esfíncter Esofágico Inferior na Digestão

O Esfíncter Esofágico Inferior é um músculo circular controlado por um sistema complexo de raízes nervosas conectadas ao cérebro. Sua função principal é criar uma barreira de alta pressão para evitar o retorno do conteúdo estomacal ao esôfago.

Quando esse músculo enfraquece ou relaxa no momento errado, ele perde a capacidade de manter o ácido no estômago. Isso resulta no refluxo ácido, que pode causar desde desconforto leve até inflamações graves no esôfago.

Fatores de Risco: Por Que o Refluxo Acontece?

Vários fatores podem interferir no funcionamento do esfíncter, incluindo:

1. Alimentação

  • Alimentos que relaxam o esfíncter: Café, hortelã e chocolate;
  • Irritantes do esôfago: Tomates, frutas cítricas e alimentos ácidos;
  • Bebidas gaseificadas: O gás pode forçar a abertura do esfíncter.

2. Estilo de Vida

  • Fumo: A nicotina relaxa o músculo;
  • Álcool: O consumo excessivo de álcool pode inflamar o esôfago;
  • Obesidade: O excesso de peso aumenta a pressão sobre o estômago e aumenta risco para desenvolvimento de hérnias de hiato.

3. Condições Especiais

  • Gravidez: Alterações hormonais e a pressão do bebê no abdômen favorecem que o alimento volte do estômago para o esôfago;
  • Hérnia de hiato: Uma anomalia que compromete a barreira antirrefluxo.

4. Medicamentos

Certos remédios, como os usados para tratar asma, hipertensão e depressão, podem enfraquecer o esfíncter ou aumentar a produção de ácido estomacal.

Sinais de Alerta: Quando Procurar Ajuda

Enquanto episódios ocasionais de azia são normais, sintomas persistentes podem indicar problemas mais graves, como:

  • Esofagite: Inflamação do esôfago causada pelo contato prolongado com o ácido.
  • Estreitamento do esôfago: Devido à formação de cicatrizes.
  • Esôfago de Barrett: Alterações celulares que aumentam o risco de câncer.

Se você sente azia frequente ou dificuldade para engolir, é hora de buscar orientação médica.

Opções de Tratamento

O tratamento varia de acordo com a gravidade dos sintomas:

1. Mudanças no Estilo de Vida

  • Reduzir o consumo de alimentos gatilho;
  • Evitar fumar e beber álcool;
  • Manter um peso saudável.

2. Medicações

  • Antiácidos: Neutralizam o ácido estomacal;
  • Bloqueadores de ácido: Reduzem a produção de ácido pelo estômago;
  • Protetores de mucosa: Ajudam a proteger o revestimento do esôfago.

3. Cirurgia

Nos casos mais graves, a cirurgia pode ser necessária. O procedimento mais comum é a fundoplicatura, que utiliza uma parte do estômago para reforçar a barreira antirrefluxo. Em um estudo realizado por nossa equipe, no Hospital das Clínicas da USP, demonstrou que a cirurgia é mais eficaz para diminuir risco de câncer de esôfago em casos de esôfago de Barrett.
No entanto, é necessária uma avaliação pré-operatória adequada para saber se, de fato, a fundoplicatura está indicada.

Prevenção: Pequenas Mudanças, Grandes Resultados

A boa notícia é que, na maioria das vezes, a azia pode ser prevenida. Algumas dicas incluem:

  • Fazer refeições menores e evitar deitar-se logo após comer;
  • Elevar a cabeceira da cama para reduzir o refluxo noturno;
  • Incorporar exercícios regulares à sua rotina para manter o peso ideal.

Conclusão

Embora a azia possa parecer uma queixa simples, ela pode ter um impacto significativo na qualidade de vida se não tratada adequadamente. Entender as causas e os fatores de risco é o primeiro passo para prevenir e tratar o problema. Cuide do seu corpo, dê atenção ao seu esfíncter e diga adeus àquela sensação incômoda de queimação no peito!

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