causas do refluxo - Dr. Francisco Tustumi https://franciscotustumi.com.br Cirurgia Geral e Cirurgia do Aparelho Digestivo Mon, 12 Jan 2026 17:25:28 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.4.7 https://franciscotustumi.com.br/wp-content/uploads/2023/01/favicon-150x150.jpg causas do refluxo - Dr. Francisco Tustumi https://franciscotustumi.com.br 32 32 Por que você sente queimação no peito? Alimentos comuns que causam refluxo e quase ninguém percebe https://franciscotustumi.com.br/por-que-voce-sente-queimacao-no-peito-alimentos-comuns-que-causam-refluxo-e-quase-ninguem-percebe/ https://franciscotustumi.com.br/por-que-voce-sente-queimacao-no-peito-alimentos-comuns-que-causam-refluxo-e-quase-ninguem-percebe/#respond Mon, 12 Jan 2026 17:25:25 +0000 https://franciscotustumi.com.br/?p=1252 A queimação no peito, a azia frequente e o gosto amargo na boca não surgem por acaso. Em muitos casos, esses sintomas estão diretamente relacionados a alimentos consumidos no dia a dia, inclusive opções consideradas saudáveis. Neste texto, você vai entender o que é o refluxo gastroesofágico, como ele acontece, por que certos alimentos favorecem a subida do ácido do estômago e quais hábitos simples podem ajudar a reduzir os sintomas. Compreender esses mecanismos é o primeiro passo para proteger o esôfago, evitar inflamações crônicas e melhorar sua qualidade de vida.

O que é o refluxo e por que ele causa queimação?

O refluxo gastroesofágico ocorre quando o conteúdo ácido do estômago retorna de forma repetida ou excessiva para o esôfago. Esse fenômeno não é raro: estima-se que cerca de 20% da população adulta apresente sintomas de refluxo pelo menos uma vez por semana, e até 7% diariamente, o que caracteriza uma condição crônica conhecida como doença do refluxo gastroesofágico (DRGE).

Entre o esôfago e o estômago existe um músculo circular chamado esfíncter esofágico inferior. Sua função é estratégica: permitir a passagem do alimento durante a deglutição e, logo em seguida, manter-se fechado para impedir que o conteúdo gástrico retorne. Em condições normais, esse mecanismo funciona como uma válvula de alta pressão.

O estômago foi biologicamente projetado para suportar um ambiente extremamente ácido, com pH que pode variar entre 1 e 4, necessário para a digestão de proteínas e para a eliminação de microrganismos. Já o esôfago não possui barreiras eficazes contra esse ácido. O pH normal do esôfago é em torno de 7. Quando ocorre falha no funcionamento do esfíncter ou aumento da pressão dentro do estômago, o ácido entra em contato com a mucosa esofágica, provocando inflamação.

Esse contato ácido repetido explica os sintomas clássicos do refluxo, como azia, queimação retroesternal, dor torácica não cardíaca, regurgitação, sensação de líquido subindo pela garganta e gosto amargo ou azedo na boca. Em episódios mais prolongados, essa agressão contínua pode levar a lesões na mucosa, estreitamentos do esôfago e outras complicações.

Dois mecanismos principais explicam a piora do refluxo após a alimentação: o aumento da produção de ácido pelo estômago e o relaxamento inadequado do esfíncter esofágico inferior. Determinados alimentos atuam exatamente nesses dois pontos, favorecendo a ocorrência e a intensificação dos sintomas.

Alimentos que podem causar ou piorar o refluxo gastroesofágico

Diversos alimentos consumidos rotineiramente estão associados ao agravamento do refluxo, especialmente em pessoas predispostas. Eles podem estimular a secreção ácida, retardar o esvaziamento gástrico, aumentar a pressão dentro do estômago ou interferir diretamente no tônus do esfíncter esofágico inferior. Entre os principais, destacam-se:

  • Café e bebidas com cafeína, incluindo café expresso, café coado, café forte e até o café descafeinado. A cafeína estimula a produção de ácido gástrico e pode reduzir a pressão do esfíncter, facilitando o refluxo. Além disso, o próprio café é uma bebida naturalmente ácida, o que contribui para a irritação da mucosa
  • Chocolate, que combina alto teor de gordura com a presença de teobromina, substância conhecida por promover o relaxamento do esfíncter esofágico inferior
  • Frituras e alimentos muito gordurosos, que retardam significativamente o esvaziamento do estômago, mantendo o conteúdo ácido por mais tempo e aumentando a pressão intragástrica
  • Pimenta e temperos picantes, que não apenas podem atrasar a digestão, mas também atuam como irritantes diretos da mucosa esofágica, especialmente quando já existe inflamação
  • Tomate e derivados, como molhos, extratos e sucos, que possuem acidez elevada e podem intensificar a irritação do esôfago
  • Frutas cítricas, como laranja, limão, abacaxi e maracujá, além de seus sucos, que aumentam a carga ácida do conteúdo gástrico
  • Bebidas alcoólicas, incluindo vinho, cerveja e destilados, que reduzem o tônus do esfíncter, aumentam a secreção ácida e irritam diretamente a mucosa digestiva
  • Refrigerantes e bebidas gaseificadas, que elevam a pressão intra-abdominal devido ao gás e favorecem o retorno do conteúdo gástrico para o esôfago

É importante ressaltar que a tolerância a esses alimentos varia de pessoa para pessoa. Nem todos apresentarão sintomas com todos eles, mas há associação consistente entre seu consumo e o agravamento do refluxo em indivíduos suscetíveis.

O problema não é apenas o alimento, mas o hábito

Além do tipo de alimento ingerido, o modo como se come exerce influência direta sobre o refluxo gastroesofágico. Refeições volumosas distendem o estômago e aumentam a pressão interna, favorecendo o escape do ácido. Comer rapidamente reduz o tempo de mastigação e dificulta o controle do volume ingerido, o que também contribui para os sintomas.

Outro fator relevante é a posição do corpo após as refeições. Deitar logo após comer elimina o efeito da gravidade, facilitando a subida do conteúdo gástrico. O consumo de café ou álcool em jejum potencializa ainda mais esse risco, uma vez que o estômago está vazio e mais sensível à agressão ácida.

Medidas simples, como aguardar de duas a três horas antes de se deitar, fracionar as refeições ao longo do dia e evitar alimentos muito ácidos no período noturno, costumam resultar em melhora significativa dos sintomas em muitos pacientes.

Em situações pontuais, algumas pessoas relatam alívio ao reduzir a acidez de sucos cítricos com pequenas quantidades de bicarbonato de sódio. No entanto, essa estratégia não deve ser utilizada de forma rotineira e não substitui mudanças alimentares e avaliação médica quando os sintomas são frequentes.

Quando o refluxo merece atenção médica

A azia ocasional pode acontecer, mas o refluxo frequente não deve ser considerado normal. A exposição repetida do esôfago ao ácido pode levar a inflamações crônicas, feridas, estreitamentos e outras complicações do trato digestivo. Quando o refluxo sobe até a garganta, pode começar a dar sintomas respiratórios e até precipitar crises de asma.

Identificar os alimentos desencadeantes e ajustar hábitos é um passo fundamental, mas sintomas persistentes devem sempre ser avaliados por um profissional de saúde.

Perguntas Frequentes:

1. O que é o refluxo gastroesofágico?

É o retorno do conteúdo ácido do estômago para o esôfago de forma repetida ou excessiva, causando inflamação e sintomas como azia e queimação.

2. Por que o refluxo causa sensação de queimação?

Porque o ácido do estômago entra em contato com a mucosa do esôfago, que não possui proteção adequada contra esse ambiente ácido.

3. Quais são os principais sintomas do refluxo?

Azia, queimação retroesternal, regurgitação, gosto amargo ou azedo na boca, dor torácica não cardíaca e sensação de líquido subindo pela garganta.

4. Quais alimentos podem piorar o refluxo?

Café, chocolate, frituras, alimentos gordurosos, pimenta, tomate, frutas cítricas, bebidas alcoólicas e refrigerantes estão associados ao agravamento dos sintomas.

5. Hábitos alimentares influenciam o refluxo?

Sim. Refeições volumosas, comer rapidamente e deitar logo após comer aumentam a pressão no estômago e favorecem o refluxo.

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